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Publicado a 31 de agosto de 2026

Reservou uma casa de férias e era falsa? O que fazer legalmente em Portugal

A PSP regista milhares de burlas em alojamento de férias todos os anos. Saiba como identificar anúncios falsos, que provas guardar e como tentar recuperar o dinheiro.

  • Confidencialidade total
  • Resposta em 24h
  • +30 anos de prática
  • Ponta Delgada, Açores

O verão concentra reservas de casas de férias — e também burlas. A PSP e a GNR registaram mais de seis mil queixas nos últimos três anos por falsos arrendamentos turísticos. Em 2026, a PSP reforçou alertas em parceria com plataformas como a Airbnb: sites falsos, pagamentos por transferência directa e preços demasiado baixos são os truques mais comuns.

Este artigo explica o que fazer se já pagou ou se desconfia de um anúncio — do ponto de vista jurídico e prático.

Sinais de alerta antes de pagar

  • Preço muito abaixo do mercado para a zona e a época;
  • Pedido de pagamento fora da plataforma (MB Way, transferência, crypto);
  • Anunciante que não permite videochamada ou recusa mostrar documentos do imóvel;
  • Site ou email com erros de português, domínios estranhos ou links recebidos por SMS;
  • Mesmas fotografias repetidas em anúncios diferentes (pesquisa inversa de imagem);
  • Pressão para pagar "já, porque há mais interessados".

Regra prática: reserve, comunique e pague sempre dentro de plataformas reconhecidas, com protecção ao consumidor.

Já paguei e a casa não existe — o que fazer?

  1. Guarde tudo: emails, WhatsApp, capturas de ecrã, comprovativos de transferência, anúncio (URL), perfil do anunciante;
  2. Apresente queixa na PSP ou GNR — crime de burla (Código Penal);
  3. Contacte o banco de imediato: em transferências recentes pode haver hipótese de bloqueio ou recall (sem garantia);
  4. Alerte a plataforma se a conversa começou lá mas o pagamento foi "offline";
  5. Não envie mais dinheiro sob promessa de "devolver com juros" — é esquema frequente.

A queixa policial é importante mesmo quando o burlão está no estrangeiro: abre inquérito, permite cruzar dados e pode fundamentar pedidos de indemnização civil.

Posso recuperar o dinheiro?

Depende. Caminhos possíveis:

  • Processo criminal com pedido de indemnização (restituição) junto do arguido;
  • Acção civil contra o fraudador, se identificado;
  • Seguro — alguns cartões ou seguros de viagem cobrem fraude online (ver apólice);
  • Plataforma — se pagou dentro do sistema e houve falha de verificação, pode haver reembolso nos termos da plataforma.

Recuperar valores enviados por transferência directa a desconhecidos é difícil, mas não impossível se o autor for identificado. Quanto mais cedo actuar, melhor.

Burla vs. simples incumprimento

Nem todo problema de férias é burla:

  • Casa diferente do anúncio, suja ou sem água quente → incumprimento contratual / direitos do consumidor;
  • Anúncio inventado e dinheiro para imóvel inexistente → burla penal.

A distinção importa para saber que autoridade contactar e que tipo de processo intentar.

Turistas que já regressaram

Muitas vítimas só descobrem a fraude na chegada ou já em casa. A queixa pode ser apresentada na PSP/GNR; documentação pode ser enviada posteriormente. Prazos de prescrição aplicam-se — não adie.

Como podemos ajudar

O escritório Luís Resendes acompanha vítimas de burlas e litígios de consumo — queixa criminal, recuperação de quantias e negociação com plataformas. Se reservou alojamento nos Açores ou a partir da ilha e foi enganado, contacte-nos antes de apagar conversas ou aceitar "acordos" do burlão.

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